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Perfeccionismo

O perfeccionismo costuma parecer “alto padrão”, mas muitas vezes é uma estratégia de controle: evitar erros, críticas e frustrações. Paradoxalmente, quanto maior a exigência, mais você pode se ver paralisada(o): você trava, adia, procrastina, fica no excesso de planejamento ou na revisão infinita. No processo terapêutico, podemos aprender a manter qualidade sem rigidez, a sustentar passos possíveis e a construir uma relação mais humana com o seu próprio processo, sem viver em alerta e sem depender do “perfeito” para se autorizar a viver.

Quando a busca por ser perfeito paralisa a vida

O perfeccionismo raramente se apresenta como um problema. Pelo contrário, ele pode ser o que te trouxe até aqui: a entrega, o cuidado, a atenção aos detalhes. O que fica menos visível é o quanto esse padrão exige. O elogio que não satisfaz. A conquista que já virou passado antes de ser celebrada. A régua que sobe junto com você.

A exigência pode aparecer no trabalho, nas relações, no corpo, nas escolhas cotidianas. A dificuldade de entregar algo antes de revisar mais uma vez. A sensação de que o que foi feito poderia ter sido melhor, mesmo quando todos ao redor dizem que está ótimo.

Há também o paradoxo da paralisia. Quanto maior a exigência, mais difícil começar. Você adia o que importa porque as condições ainda não são as ideais, porque você ainda não está pronta, porque o resultado poderia não estar à altura do que imaginou. A procrastinação, nesse caso, não é falta de vontade — é medo de não ser suficiente.

O perfeccionismo também aparece na relação com os outros. A dificuldade de delegar, de confiar que alguém vai fazer bem o suficiente. A impaciência com erros alheios que, no fundo, reflete a impaciência com os próprios. E uma solidão específica de quem carrega padrões que ninguém ao redor consegue acompanhar.

Com o tempo, o perfeccionismo vai estreitando o que você permite sentir. O prazer nas coisas diminui porque nada chega a ser suficientemente bom para ser celebrado. Você vai perdendo contato com o processo, com o que sente no caminho, com o que verdadeiramente quer além do resultado.

Antes de ser um problema, o perfeccionismo foi uma solução. Em terapia, é possível compreender o que ele está protegendo e aprender a existir com mais espaço para o imperfeito, para o suficientemente bom, para o ser-humano que você é.

Mulher correndo livre na praia com pássaros
Ana Carolina Martins

Psicóloga clínica | CRP 04/62687

Atendimentos em Curitiba (PR) e online para o mundo todo.

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